Previsão Holanda x Brasil: De Olho nos Holandeses…
Posted on 30. Jun, 2010 by Marcio in Copa do Mundo, Futebol, Futebol Internacional
Esta é a sexta Copa do Mundo para mim, como torcedor viciado. E se eu fosse imparcial nesta partida, como torcedor do futebol eu teria que torcer pro Brasil. Isso não tem nada a ver com a qualidade ou o tipo de futebol que estas duas seleções tem apresentados (por sinal, são semelhantes nestes dois quesitos), mas com a história recente das eliminações holandeses em Copas do Mundo.
A melhor partida de uma Copa, com todos os seus ingredientes de alto nível técnico e tático, paixão, emoção e controversia, é aquela que é lembrada após a competição, de forma geral sem ser a finalíssima. Em 1990, esta partida aconteceu nas Oitavas-de-final – e termonou com a eliminação da Holanda, contra a futura campeã, Alemanha, por 1×2. Dois cartões vermelhos, muita emoção e velocidade, muita rivalidade marcaram este que é o meu jogo predileto de todos os tempos, até hoje.
Quatro anos depois, os holandeses perderam para o Brasil, na segunda melhor partida daquela Copa (superada apenas por Romênia 3×2 Argentina). Nas quartas-de-final e após primeiro tempo sonolento, Brasil fez dois gols, mas a Holanda empatou; Branco desempatou no gol clássico e memorável, de falta. Em 98, mais uma vez Brasil. Jogo eletrizante, mais uma vez Brasil abre o marcador (arrancada espetacular do Ronaldo), Holanda empata (Kluivert). O jogo nervoso e emocionante foi decidido por Taffarel, mas é o melhor jogo da Copa, na minha memória (bem que Brasil 3×2 Dinamarca foi jogão também).
Holanda não conseguiu se classificar para a Copa de 2002 (Louis Van Gaal era o técnico…), e em 2006, a eliminação para o Portugal, se não foi um jogaço, foi controverso e emocionante. Então, pelo jeito, eliminação holandesa sempre é bom para o torcedor imparcial.
Mas o time deste ano não está de brincadeira. Esta previsão vai focar no time da Holanda, e como a seleção brasileira se encaixa nisso. Confira:
STEKELENBURG: Van der Vaart é considerado uma lenda não porque ainda é titular no Manchester United; mas porque ele é vastamente aceito como pioneiro do goleiro moderno, aquele que joga como último homem de zaga e sabe fazer lançamentos exatos para o ataque, tanto com os pés como com as mãos. Por isso, a imprensa holandesa estava triste pela recusa dele de voltar ao gol da seleção, mas a preocupação diminuiu pelas boas atuações de Stekelenburg na Copa. Principalmente contra os eslovacos, ele foi vital para manter o placar favorável por tanto tempo, e mesmo o pênalti cometido por ele, no final da partida, não pesou negativamente. Stekelenburg evita rebotes e é seguro na linha, mas nem sempre perfeito no domínio da área. Brasil tem boas chances com lances de bolas paradas alçados na área, se Daniel Alves e Maicon acertarem o cruzamento.
VAN DER WIEL: Aos 22 anos, este lateral do Ajax já é bem condecorado. Companheiro de equipe do goleiro Stekelenburg, ele acaba de receber o prêmio de “Melhor Jogador Jovem”, na Holanda, e já tinha sido considerado o melhor novato na temporada anterior. Ele lembra Reizinger e começou na zaga central, mas agora é lateral direito veloz, forte e com boa habilidade técnica. Ele as vezes peca ainda no posicionamento tático, algo que Michel Bastos e Robinho poderiam tentar explorar, pelo lado direito. Van der Wiel ainda não tem muita presença ofensiva, o que não quer dizer que dele não se podem esperar bons cruzamentos.
HEITINGA: Também formado no Ajax, este zagueiro central deixou o seu clube há duas temporadas, aos 24 anos. Foi ao Atletico Madrid, onde não foi tão bem quanto esperado, e atualmente defende o Everton. Heitinga é veterano na seleção, onde estreiou ainda com 20 anos de idade. Ele é, como a maioria da seleção, técnico, e bom cabeçeador. As vezes marca gols em cobranças de falta – já tem seis gols pela seleção (em 56 partidas) e 27 gols em campeonatos nacionais!
MATHIJSEN: Experiente aos 30 anos, a dupla de Heitinga joga pelo Hamburgo desde 2006, quando deixou a Holanda. Ele é forte por cima e é bem menos perigoso na frente do gol, comparando com a sua dupla; é menos veloz também, mas se posiciona muito bem taticamente. Pode ter problemas se Robinho tiver um bom dia, ou Kaká conseguir arrancar, mas deve marcar bem o Luis Fabiano.
VAN BRONCKHORST: Gio, como gosta de ser chamado, é ex-jogador do Barcelona e do Arsenal. Com 101 partidas pela seleção, é o capitão; ele foi revelado pelo Feyenoord, apareceu pro mundo no Glasgow Rangers, e depois jogou seis temporadas de futebol em alto nível. Desde 2007, está de volta ao Feyenoord, e a opinião sobre ele é que o lateral esquerdo, um dia um dos melhores nesta posição, hoje vive do seu posicionamento, mas é lento e sem aquela característica subida ofensiva de outros dias. Já com 35 anos de idade, é com esta experiência que ele tentará impedir os avanços de Maicon.
DE JONG: Jovem e promissor, assim ele chegou ao Hamburgo com 21 anos de idade, vindo da escola do Ajax. Aos 26 anos, o último defendendo o Manchester City (que pagou 20 milhões de euros ao HSV), de Jong tem a parte mais defensiva da dupla de volantes no meio-campo holandês. Mas ele é um jogador altamente moderno: forte fisicamente, se posiciona muito bem, desarma bem e sabe tocar a bola. Se ele cuidar de Kaká, acho que difícil o brasileiro encontrar o seu melhor jogo.
VAN BOMMEL: Após brilhantes anos no PSV Eindhoven e uma temporada não muito boa pelo Barcelona (pelo menos foi titular na final da Champions, ao lado de Ronaldinho, em 2006), Van Bommel foi para o Bayern, onde é capitão e jogou a sua melhor temporada. É um volante defensivo, que tem boa visão e toque de bola (algo que ele ainda não mostrou nesta Copa); no Bayern, joga mais recuado que o Schweinsteiger, na seleção da Holanda ele aparece mais avançado. Aos 33 anos, ainda tem uma forma física impecável, embora nunca fosse muito rápido. Sabe concluir e marcar gols, e é perigoso quando tem espaço; ao lado de Sneijder, será o responsável para lançar os três jogadores mais ofensivos. Serão dueloa interessantea no meio campo, com o Gilberto Silva e o Josué, que ele conhece da Bundesliga.
SNEIJDER: No 4-3-3 tipicamente holandês, que se torna um 4-2-3-1 não tão típico quando o time está sem bola, Wesley Sneijder é a peça ofensiva do meio campo. Ele lança bem, passa bem e conclui bem (já tem 2 gols na Copa). É a segunda maior estrela do time e vem confiante, de uma temporada vencedora com a Internazionale. Imagino que ele se encontrará bastante com Gilberto Silva em campo (e as vezes com Lucio), e a sua velocidade pode vir a ser um problema para eles. Sneijder, que foi revelado no Ajax e teve uma passagem mista pelo Real Madrid, pode se tornar um dos grandes craques da Copa – se conseguir ajudar a vencer o Brasil. Ele gosta de vir para o lado esquerdo do campo, onde deverá ser bem cuidado pelo Maicon, com apoio de G. Silva.
KUYT: Deve começar jogando, mesmo que a vaga titular normalmente seria de Van der Vaart. Mas Dirk, menos técnico do que os outros ofensivos, tem um chute fulminante e é bom cabeçeador, apesar do seu tamanho. Jogador do Liverpool desde que deixou a Holanda (Feyenoord) em 2006, ele não pode ser subestimado pela zaga brasileira. O seu tamanha pode ser uma vantagem, no chão, contra Lucio e/ou Juan. Kuyt começara pelo lado esquerdo, mas deve trocar de lado constantemente com Arjen Robben. Desde que deixou o Feyenoord, Kuyt não é conhecido como matador na área; mas ele gosta de marcar gols decisivos.
ROBBEN: Pela sua fantástica temporada no Bayern, Robben é o principal nome da sua seleção. Sua jogada manjada (vir do lado direito, puxar para dentro e mandar ver com o pé esquerdo) pode até dar certo contra o Brasil, mas ele aprendeu a ser menos fominha e mais garçon, o que pode surpreender Michel Bastos e até Maicon. Robben se destaca pela incrível velocidade com a bola no pé, então é importante ter sempre alguem na sobra contra ele – o que pode dar mais espaço para Sneijder ou Kuyt, mesmo van Persie, se este buscar mais o jogo. Robben cobra as faltas do lado esquerdo do goleiro oponente (no caso Julio Cesar) tanto com precisão como com força.
VAN PERSIE: Desde que deixou o Feyenoord, Robin van Persie, hoje 26 anos, defende o Arsenal – há seis anos. Mesmo com suas muitas lesões (uma delas o afastou dos últimos meses da atual temporada), ele marcou 48 gols em 131 partidas pelo time inglês, e 19 em 48 pela seleção. Nesta Copa, ele não parece ter encontrado a sua forma ainda, mas quanto mais se joga, mais possível parece ele ser perigoso. Até porque é um atacante completo: técnico, chuta com as duas pernas e cabeçea bem, além de saber buscar o jogo e armar jogadas. Como Robben, ele as vezes é um pouco egoista, e isso pode ser um problema no ataque. Na atual forma, não vejo ele fazendo um bom jogo contra o Juan (ou Lucio).
Cuidado, porque no segundo tempo, qualidade vai entrar em campo, do banco holandês; o jovem Elijaro ELIA teve uma excelente temporada no Hamburgo e já mostrou ser o melhor driblador da sua seleção – e ele tem objetividade, sabe onde o gol está, e sabe servir os companheiros. Rafael VAN DER VAART defendeu o Hamburgo também, antes de ir para o Real Madrid. Ele tem talento, mas continua sendo inconstante. Mas quando entra, é perigoso com chutes fora da área a passes as vezes brilhantes. Ibrahim AFELLAY é conhecido apenas por viciados, já que se destacou apenas no PSV Eindhoven, mas a sua ida a um clube de maior porte (possivelmente… sim, vc adivinhou, o Hamburgo) acontecerá depois da Copa. É um meia rápido, técnico, inteligente e forte, uma promessa mesmo.
Ryan BABEL, do Liverpool, é bom pelas laterais, Klaas-Jan HUNTELAAR, apesar de limitado e com temporada péssima no Milan, é goleador (76 gols em 92 jogos pelo Ajax). Realmente, muitas possibilidades para Bert VAN MARWIJK, que já treinou o Borussia Dortmund e foi campeão da Copa da UEFA com o Feyenoord Rotterdam (em 2002).
O time tem uma qualidade: todos (incluindo Robben e Kuyt) trabalham muito bem defensivamente, e a Holanda só tomou um gol, até agora: Samuel Eto’o, de pênalti. Mas, até agora, as estrelas ofensivas não se encontraram em campo; dificuldade causada também pela atitude defensiva de Japão, Dinamarca, Camarões e Eslováquia, times enfrentados por eles até agora. O Brasil não será muuuito diferente, já que joga muito bem defensivamente.
Portanto temos um encontro de duas seleções que tem jogado muito bem defensivamente, mas sem consistência na parte ofensiva. Espero que não, mas pode não ser um jogão de bola, por este histórico.
PITACO: Acredito que, desta vez, haverá falha na parte defensiva do Brasil, e creio na vitória da Holanda – em tempo normal ou na prorrogação.











Martin Lopez
30. Jun, 2010
Infelizmente, o Brasil vai faturar a vitoria, possivelmente suada.
felipe tonasso
30. Jun, 2010
segundo o dunga, a “estatística/tabu” só é válida até que o jogo comece, mas com a holanda acho que não.
não vai ser nem suado como no passado! nossa defesa é bem mais consistente agora e se precisar, tem julio césar de sobra para o manjado robben e cia.
brasil 3 x 1 holanda
bom trabalho de info acima!
e goBR
edson nunes jr
30. Jun, 2010
mais uma daquelas resenhas intermináveis…
concordo que o jogo tem tudo para ser bonito e feio. feio se brasil jogar como jogou contra portugal; bonito se jogar como jogou contra o chile. se a holanda jogar como jogou contra japão vai ser feio, mas se jogar como jogou contra dinamarca, será melhor.
não vejo favoritos. pelo retrospecto, diria que o brasil vence. pela copa até agora, diria que o brasil vence. talvez por isso dê holanda… mas os caras vão precisar jogar bem no ataque.
pitaco: quem fizer o primeiro gol ganha de 3×1.
Bertarelli
30. Jun, 2010
3×2 pro brasil
Marcio
01. Jul, 2010
Isso não foi “resenha”, e sim uma olhada bem mais de perto na seleção holandesa – para viciados mesmo!
Erisson
01. Jul, 2010
Marcião
Diria que você ta no emprego errado. Vou te recomendar pra Bandeirantes.
Mas de pitonisa voce não tem nada.
Brasil 2 x 0 Holanda
Marcio
02. Jul, 2010
Quer rever o seu comentário, Erisson?