Previsão da F1 2011, parte 3: pilotos – os 8 de trás

Posted on 20. Mar, 2011 by in Formula 1

A previsão mais completa da temporada continua a série com a primeira de três partes sobre os pilotos, que serão apresentados aqui com um resumo de sua carreira até agora e o que podemos esperar de cada um nesta temporada.

 

De volta a F1, mas apenas para desenvolver um carro ruim: Narain Karthikeyan

NARAIN KARTHIKEYAN – Número 22 – HRT – India – 34 anos

O que? Você já se esqueceu deste piloto? Bem, fique tranquilo. Ele já está correndo em categorias principais há 17 anos, é bastante experiente e já teve uma temporada pouco satisfatória na F1, quando foi o companheiro do também não-famoso português Tiago Monteiro na temporada de 2005, ano do primeiro título de Fernando Alonso. Karthikeyan foi piloto de testes na Williams em 2006/07, mas depois deixou a F1, sem deixar a pilotagem e o automobilismo. HRT deve ter contratado ele pela sua experiência, e deve esperar dele um avanço no carro. Espero que dê certo, mas creio que Karthikeyan pode até perder para o seu companheiro de equipe, em termos de performance. Mas, como já mencionado, isso não é o principal papel dele na equipe, que pode ser a pior da temporada, sendo deixado para trás até pela Virgin Racing.

PITACO: Constantemente em último do grid.

 

Ainda não quer desistir da F1: Vitantonio Liuzzi

VITANTONIO LIUZZI – Número 23 – HRT – Itália – 29 anos

Perder o emprego numa equipe média da F1 significa, em muitos casos, o fim da carreira na categoria real do automobilismo. Liuzzi conseguiu evitar este fim, e ele espera não apenas ajudar a equipe HRT a se tornar realmente digna a Formula 1, mas espera chamar a atenção para a sua habilidade como piloto. Com isso, Liuzzi tem um papel completamente diferente do seu companheiro indiano, e precisa mostrar performances que o ajudem a melhorar de equipe em 2012. Ele precisa dar um banho em Karthikeyan em treinos e corrida, e ainda espera pode disputar o título de melhor do segundo pelotão – o que deverá ser bem dificil, visto a falta de kilometragem do carro novo. Temporada difícil para o italiano que já mostrou algumas boas performances na F1.

PITACO: Deixará companheiro para trás, o resto depende do desenvolvimento do carro. Tá com cara de penúltimo de grid.

 

Novato nem tão novato: Jérôme D'Ambroisi, buscando a sua chance na F1.

JÉRÔME D’AMBROSIO – Número 25 – Virgin Racing – Bélgica – 25 anos

Alguns mais fanáticos talvez lembram de uma ou outra aparição do belga com sangue italiano na temporada passada. D’Ambrosio foi piloto de testes em algumas sextas feiras no lugar de Lucas de Grassi, pela equipe Virgin. Na verdade, ele pertence a Renault, onde foi piloto oficial de testes na temporada passada; e ainda mais, onde Eric Boullier, o seu empresário, é o chefe da equipe francesa. As suas três temporadas na GP2 não realmente o qualificaram para a Formula 1. Algumas boas performances, mas de forma geral um piloto para o meio do pelotão. D’Ambrosio quer agora mostrar que está pronto para uma carreira na F1, e para isso tem apenas um objetivo: deixar o seu companheiro de equipe para trás. Não será nada fácil.

PITACO: Não supera Timo Glock e ficará só uma temporada na Formula 1, talvez nem completa.

 

Timo Glock ainda sonha em voltar para equipes melhores, e precisará mostrar o seu talento mais uma vez em 2011.

TIMO GLOCK – Número 24 – Virgin Racing – Alemanha – 29 anos

Muitos brasileiros lembram de Glock como o cara que tirou o título de campeão mundial de Felipe Massa, na chuva de Interlagos em 2008, quando não teve como conter Lewis Hamilton praticamente na última volta na corrida. Glock tinha sido o único a ficar com pneus slick na chuva cada vez mais forte. Mas a sua estréia na F1 foi em 2004, quando disputou quatro corridas pela fraca Jordan da época. A partir daí, fez tudo para se estabelecer na F1. Foi quarto colocado em 2006, ano do título de Hamilton. Em 2007, foi campeão e já tinha um contrato como piloto de testes na BMW. Em 2008 e 2009, correu com bastante sucesso pela Toyota e estava muito bem cotado no mercado. Mesmo o seu acidente no final da temporada de 2009 (Kobayashi o substitui de forma impressionante) não parecia ser um problema para o “novato do ano” de 2008 não parecia ser um problema, mas quando a Toyota anunciou a sua retirada da F1 de forma tardia, não havia mais assento livre para o alemão talentoso. Glock teve que aceitar um emprego na Virgin, onde conseguiu pela menos o título inoficial de “campeão do segundo pelotão” pelas suas performances na classificação e nas corridas. Timo precisa agora manter o seu nome bom, e por isso não pode deixar chances para o seu novo talentoso companheiro de equipe belga, que tem o mesmo sonho: ir para uma equipe melhor. Será um duelo muito interessante de se acompanhar!

PITACO: Dificilmente chega na Lotus, mas não terá problemas com o seu companheiro nos treinos.

 

Sempre risonho, mas já passou por maus bucados: Heikki Kovalainen.

HEIKKI KOVALAINEN – Número 21 – Lotus – Finlândia – 29 anos

Este finlandês bem-humorado é um dos caras mais simpáticos da categoria. Com a tradição finlandesa de Keke Rosberg (hoje o seu empresário), Mika Hakkinen e Kimi Raikkonen, todos campeões mundiais, Heikki tinha muito o que provar. Teve excelentes resultados antes da F1 entre 2002 e 2005, incluindo pódio na tradicional corrida junior de Macau, Campeão e vice na World Series e um vice-campeonato na GP2, ficando atrás apenas do campeão Nico Rosberg, filho do seu empresário. Nos anos de 2004 e 2005, Kova já tinha um contrato na Renault como piloto de testes reserva, e virou o titular (nos testes) no bicampeonato de Fernando Alonso, ano em que a sua equipe Renault também era a campeã nos construtores. Alonso foi para a McLaren, e Heikki tomou o seu lugar – logo numa equipe de ponta. Foi decepcionante o seu 7º lugar no campeonato no fim da temporada, mas isso foi culpa do carro. Kovalainen foi melhor do que o número 1 Fisichella principalmente no segundo semestre e terminou a frente dele no final do ano, o que explica que a sua carreira não sofreu. Ela não teria subido ainda mais se não fossem os problemas entre Alonso e a McLaren; o espanhol pediu a sua vaga de volta, e para a surpresa de muitos, a McLaren contratou Kovalainen. Sim, todos os outros finlandeses campeões já tinham corrido pela equipe britância, havia uma certa lógica nisso. Mas o que se seguiu foram 35 corridas na sua maioria decepcionantes, apenas uma vitória, um 7º lugar em 2008 (como o companheiro Hamilton campeão!) e um ainda mais vergonhoso 12º lugar ao fim da temporada de 2009. Humilhante para a McLaren, e para Kovalainen, que parecia não ter mais futuro na F1. Desde a temporada passada, o finlandês luta por uma segunda chance. E ele me impressionou positivamente em 2010, mas creio que ele nunca mais vá guiar um carro de ponta. Já será um bom desafio superar o seu companheiro de equipe.

PITACO: Mais um ano relativamente bom, vencerá Trulli na contagem final na classificação e possivelmente nas corridas também.

 

Jarno Trulli, a inconstância é a sua marca!

JARNO TRULLI – Número 20 – Lotus – Itália – 36 anos

16 anos atrás, a estrela de Trulli começou a aparecer, com o segundo lugar em Macau. No próximo ano, ele foi campeão da F3 alemã e conseguiu mais um pódio em Macau – Trulli agora só precisava dos contatos certos para ir a F1. Ele conseguiu um contrato na melhor equipe de entrada na F1, a Minardi, que ainda era do seu país. No meio da temporada, Trulli foi contratado pela Prost para substituir Olivier Panis, que tinha se machucado. E ele deixou a sua marca com o 4º lugar logo na sua primeira corrida, e até liderando na Austria, antes de abandonar. Pode-se dizer que a sua primeira temporada na Formula 1 foi bastante promissor. Mas ela demorou a tomar forma. Duas temporadas completas na fraca Prost foram seguidas por duas temporadas completas na fraca Jordan. Em 2001, pelo menos conseguiu ficar em nono no final da temporada, bom resultado que o deu um novo desafio: a ida para a Renault. Lá, venceu Jenson Button nos treinos, mas perdeu dele nas corridas. Mesmo assim, Button teve que procurar outro emprego para dar espaçõ ao jovem Fernando Alonso. Trulli começou a frequentar os pontos, e conseguiu até 3 pódios nas temporadas de 2003 e 2004, mas foi então transferido para a Toyota no final da temporada – haviam problemas com Jarno e a equipe, já que italiano não conseguia nem chegar perto de Alonso na segunda metade daquela temporada, o que Trulli explicava com favorecimento da equipe em favor do espanhol, que afinal tinha no chefe de equipe Flavio Briatore o seu empresário. Trulli foi mandado embora e terminou a temporada na Toyota, onde ele ficou até a saída da empresa japonesa na Formula 1. Como a sua vida na F1 antes, mais uma vez haviam altos e baixos. As vezes ele deixava companheiros para trás (Ralf Schumacher principalmente), e outras vezes ficava corridas sem render bem. Muitas vezes o seu contrato foi posto em questão, mas apenas o fim da Toyota o fez mudar de equipe. A carreira de Trulli está terminando, e a promessa não se cumpriu. Ele tentará ficar a frente de Kovalainen (que era para substituí-lo na Toyota em 2008, mas foi pra McLaren), mas acredito que não conseguirá. Heikki é o favorita para o “best of the rest” e de visitar o Q2 constantemente, para mim.

PITACO: Deverá perder o duelo com Kovalainen e encerrar a carreira após esta temporada.

 

Campeão da DTM na F1? Primeira vez que isso acontece, mas é o caso do novato Paul di Resta.

PAUL DI RESTA – Número 15 – Force India – Escócia

Tá aí uma das possíveis surpresas da temporada nova na F1, que tem novatos de altíssima qualidade. Este é o segundo deles que menciono aqui. Di Resta é famoso na Alemanha, por ser o atual campeão da DTM, a principal competição de grã-turismo no mundo. Claro, é diferente dirigir um carro convencional (com multiplos de cavalos do original da rua) e um F1, que é um veículo aberto. Mas Di Resta mostrou que sabe pilotar e é uma esperança para os fanáticos britânicos. Aos 24 anos, chega a F1 por este caminho incomum. Foi terceiro na sua segunda temporada de Formula Renault britânica, aos 18 anos. Foi campeão da F3 européia em 2006, aos 20 anos. Mas em vez de ir para a GP2, decidiu correr na DTM, uma das competições mais disputadas e assistidas do automobilismo mundial. Di Resta foi vice-campeão logo na sua segunda temporada, terceiro na terceira, e campeão em 2010. Depois de quatro anos de DTM, será que ele se adapta a Formula 1? Possivelmente sim, até porque já está com contratado pela Force India desde a temporada passada, tendo aparecido em treinos de sexta-feira. Di Resta toma o lugar de Liuzzi e até venceu Nico Hülkenberg na disputa, que é agora o piloto de testes da equipe, após respeitável primeira temporada de F1 na Williams. Muito se espera de di Resta, e será interessante ver se ele é capaz de superar o seu companheiro de equipe, Adrian Sutil que é considerado um dos pilotos mais talentosos da Formula 1.

PITACO: Dará trabalho a Adrian Sutil, e deixará uma boa impressão. Mas não supera o alemão na contagem final, nem na classificação. Mesmo assim marcará mais que 10 pontos na temporada, dependendo do carro até mais que 20.

 

Sergio Perez, prestem atenção nele: possível futuro campeão!

SERGIO PÉREZ – Número 17 – Sauber – México – 21 anos

Um novo jovem talento. Do México. Chamado de “Checo” pela imprensa nacional, e talvez logo pela internacional? Sergio Pérez deixou a sua primeira marca ao liderar um dos últimas dias de testes na Catalunha, na semana retrasada. O que aumenta a espectativa por uma dupla dinâmica e agressiva na equipe suíça, já que companheiro Kobayashi é famoso pela sua agressividade nas pistas. E Pérez tem o currículo para alimentar as expectativas: aos 18 anos, foi campeão da F3 britânica, e no ano passado foi vice-campeão na GP2, atrás apenas de outro novato, o venezuelano Pastor Maldonado. Pérez será o piloto mais jovem a correr nesta temporada, então pode-se esperar dele tudo: erros aqui, performances impressionantes lá. Estou muito curioso, vi Pérez correndo em Hockenheim ano passado. Tem tudo para acrescentar a F1, inclusive mais público dos fanáticos amantes do esporte do seu nativo México. Pérez dará trabalho a Kobayashi, e se ele vencê-lo (o que é o meu pitaco pessoal), será logo cobiçado pelas equipes grandes. Você leu aqui primeiro: Sergio Pérez é um potencial futuro campeão da Formula 1.

PITACO: Dará bastante trabalho a Kobayashi, a quem vai superar nos treinos na contagem final. Mas ficará com menos pontos marcados do que o japonês, mesmo fazendo ao menos 12 deles.

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