Previsão da F1 2011, pilotos – 8º lugar: Nick Heidfeld
Posted on 23. Mar, 2011 by Marcio in Formula 1
Aqui uma entrada mais extensa sobre Nick Heidfeld, que volta a F1 – pelo menos até a volta do seu ex-companheiro Robert Kubica.
NICK HEIDFELD – Número 9 – Renault – Alemanha – 33 anos
“Quick Nick” é o Rubens Barrichello da Alemanha. Surgiu como promessa de futuro campeão, após os grandes sucessos do grande Schumacher, do jeito que Rubinho surgiu ainda na época dourada de Senna. Heidfeld não teve que lidar com a morte do super-herói e a responsabilidade aumentada, e ele tem um “título” que muitos dariam ao Rubinho, mesmo não sendo verdade. 174 corridas sem vitória, isso é um feito exclusivo do não-mais-tão-jovem alemão. E a sua carreira parecia estar em perigo de terminar de forma trágica.
Heidfeld sempre foi considerado um piloto veloz, como Barrichello. O prestígio dele sempre era elevado, tanto que ele tinha um contrato com a equipe campeão mundial em 2009, para ser piloto da Mercedes (que assumiu a Brawn GP) no ano passado. Mas a volta espetacular de Schumacher o deixou sem assento e na posição de piloto reserva. E mesmo as boas atuações na Sauber no final de 2010 não o devolveram um lugar na F1; apenas o acidente trágico de Robert Kubica abriram a porta para o experiente piloto, que por muitos anos foi companheiro de equipe do polonês, considerado um dos melhores pilotos da categoria. Mas vamos ao começo: aos 17 anos, Nick Heidfeld foi campeão da Formula Ford alemã, aos 19 anos o terceiro colocado na Formula 3 alemã – isso em 1996. Em 97, ele venceu o GP de Mônaco na Formula 3, foi campeão da mesma categoria alemã. Sua carreira continou de forma exemplar: Vice-campeão da F3000 em 98, que na época era a principal categoria de acesso para a F1 (perdeu o título para Montoya nas últimas duas corridas), e campeão em 99. Em 98, já trabalhava na McLaren como piloto de testes na F1, aos 19 anos, e em 2000 finalmente virou titular na Prost GP. Heidfeld terminou a temporada a frente do seu companheiro famoso Jean Alesi, mesmo com um carro fraco e pouco durável (10 abandonos em 17 corridas, Alesi teve 12).
A mudança para a Sauber para 2001 era um passo para frente, e o seu companheiro seria o futuro campeão mundial Kimi Raikkonen (com Felipe Massa na reserva). Heidfeld superou também Raikkonen e marcou até o seu primeiro pódio (em Interlagos). Ele ficou sete vezes entre os melhores 6 (na época, só estes pontuavam), Raikkonen apenas quatro. E nas corridas onde os dois chegaram (apenas sete), Heidfeld venceu por 4×3. Mesmo assim, para a surpresa geral, Kimi foi escolhido para substituir Mika Hakkinen na McLaren – mesmo com o passado do alemão como piloto de testes, e a óbvia vantagem de ser um alemão num carro com o motor Mercedes.
Então, o jeito era mais uma temporada na Sauber, com Felipe Massa como o novo companheiro. Mais uma vez, Heidfeld, ao final da temporada com 25 anos, venceu o seu companheiro. Quatro vezes nos pontos (contra 3 do Massa), 7×4 pontos. O desempenho do carro não era mais tão bom, mas Heidfeld tinha vencido também o seu terceiro companheiro em três temporadas, algo que normalmente vale muito na F1; ainda mais se olhar os nomes: Alesi, Raikkonen e Massa (na sua temporada de estréia, ok). Massa deixou a equipe para ser piloto de testes na Ferrari, e o veterano Heinz-Harald Frentzen se juntou a Heidfeld. Esse já tinha vencido corrida, já tinha sido vice-campeão e era o quarto companheiro de renome para Heidfeld, que não parecia avançar na F1 do jeito que merecia. Desta vez, Heidfeld perdeu; ele marcou 6 pontos, contra os 13 de Frentzen. Mas nas sete corridas que chegaram juntos, Nick chegou na frente em quatro, indicando que o equilibrio era maior. E pela pontuação de hoje em dia, Frentzen teria marcado pontos em cinco corridas, contra nove do Heidfeld, bem mais constante. Portanto, mesmo essa derrota em pontos não era uma derrota de verdade.
Heidfeld mudou para a Jordan em 2004, o que era um passo para trás, já que a equipe tinha ficado em nono (de dez) na temporada de 2003. Heidfeld acabou com o italiano novato Pantano, mas o carro era muito ruim. Finalmente, um passo para frente na carreira: a Williams, quarta colocada em 2004, chamava! Uma temporada boa lá poderia abrir as portas para finalmente chegar num carro vencedor (que a Williams não era). A equipe inglesa estava em decadência, mas era com certeza melhor do que a Jordan. E Heidfeld tinha conquistado a vaga numa disputa direta de testes contra o brasileiro Antonio Pizzonia, semelhante ao que aconteceu este ano contra Bruno Senna. Mas a experiência foi infeliz. Heidfeld teve algumas atuações respeitáveis, incluindo uma pole position e uma segunda colocação. Após o GP da Turquia, Heidfeld tinha 28 pontos, contra 24 de Webber, que tinha sido contratado como piloto número 1. Um acidente após aquela corrida, seguido por outro acidente antes de voltar, deixaram Heidfeld de fora da ação pelo resto da temporada. A sua melhor carreira, até então, tornava-se a primeira que ele não completava. Nico Rosberg e Sebastian Vettel testaram a BMW Williams naquele ano, por sinal.
Heidfeld foi dispensado pela Williams e voltou para a Sauber; o seu companheiro seria o ex-campeão Jacques Villeneuve. Mas o canadense tomou um pau do Heidfeld, e pouco motivado pelo desempenho do carro, encerrou a sua carreira após o GP da Alemanha. Robert Kubica entrou no lugar, o novato polonês. E fez 6 pontos nas corridas restantes, contra 10 do Heidfeld. Ambos foram ao pódio, em corridas diferentes.
Este texto está um pouco maior do que o normal, mas torna-se necessário pela carreira que Heidfeld teve. Alesi, Raikkonen, Massa, Webber, Villeneuve, Kubica – todos eres foram vencidos pelo “Rubinho” alemão, e Frentzen, o único que o venceu por pontos, na verdade era bem menos regular. Mas a sua carreira parecia uma prisão; na Williams, quando ele mais brilhou, ele se machucou. E teve que voltar para a Sauber, um carro nada bom para aparecer e deixar impressão. Mas pelo menos, ele tinha uma motivação boa para 2007 – superar a ascendente nova estrela da F1, Robert Kubica.
2007 acabou sendo a melhor temporada de sua carreira. A BMW Sauber nasceu forte, e Heidfeld ficou nos pontos em todas as corridas em que chegou – em 14 de 17! Dois pódios e quatro quartos lugares demonstraram a sua constância, e ele fez 61 dos 101 pontos da sua equipe – deixando 39 para o seu companheiro Kubica, e 1 para Vettel, que substituiu o polonês em uma corrida (marcando o seu primeiro ponto em sua primeira corrida na categoria). Nas 11 corridas em que Heidfeld e Kubica chegaram ao final, o alemão esteve na frente em 7 delas. Uma vitória clara do alemão dentro da equipe, e fora – ele fez com que a BMW Sauber terminasse a temporada como a segunda melhor equipe, já que a McLaren, real vice, foi punida pelo escândalo de espionagem. Esta seria a hora de alguem oferecer um carro vencedor para o alemão. Mas mais uma vez, a McLaren (que dispensou o Alonso) não aproveitou a oportunidade de contratar Nick, e escolheu Kovalainen – uma péssima escolha, que ficou clara depois. Heidfeld entrava na sua sexta temporada de Sauber, e na nona de Formula 1.

O pódio histórcio de Canadá, uma das seis segundas colocações na carreira. Talvez a mais doída para Nick.
Pela segunda vez, uma equipe vencedora não o chamou. Será que Heidfeld conseguiria manter a motivação? Aparentemente, sim. Mas, desta vez Robert Kubica o superou. Não com o mesmo placar avassalador do ano anterior, quando Heidfeld meteu 61×39, mas o 75×60 do Kubica foi claro o suficiente. Nas 16 corridas em que chegaram juntos, Kubica esteve na frente 11 vezes. O momento do alemão tinha passado, pela primeira vez ele foi vencido claramento num duelo interno. Principalmente humilhante foi a vitória de Kubica no Canadá, a sua primeira vitória na categoria. Heidfeld liderava com quase 20 segundos de vantagem, mas Kubica, mais veloz por ter uma estratégia de mais paradas, ainda chegou nele e o superou na pista. E o alemão, figura trágica, continuava sem vitória na categoria.
Em 2009, as coisas pioraram. A BMW Sauber deixou de ser a terceira força na F1 e caiu para sexto lugar, posição em que se luta por qualquer ponto no final dos oito que pontuavam. Robert Kubica chegou no final da corrida 14 vezes, chegando 5 vezes nos pontos, e uma vez até no pódio. Nick Heidfeld chegou 15 vezes no final de uma corrida, 6 vezes nos pontos em um pódio. 19×17 para o alemão, num duelo desta vez equilibrado. Após três anos como companheiros, Heidfeld tinha marcado 140 pontos para a equipe, e Kubica 131. Empate técnico entre os pilotos, confirmado pelo empate técnico na sua última temporada juntos. E para ambos, pilotos acima da média, era a hora de mudar. Kubica estranhamente escolheu a Renault, que pouco tinha impressionado na temporada anterior, mesmo com Fernando Alonso. E Heidfeld assinou contrato com a Mercedes GP, que era a equipe do campeão mundial Jenson Button. Talvez poderia ter ido para a McLaren, que preferiu ter o campeão mundial que ainda por cima era britânico. Mas a Mercedes era tida como um carro potencialmente vencedor, seria a primeira vez para Quick Nick. No seu contrato tinha uma clausula, porém, que o deixaria como piloto de testes se Michael Schumacher voltasse de sua aposentadoria.
Na última temporada, Pedro de La Rosa decepcionou na BMW Sauber; enquanto Kobayahsi era constante ou dava show, o espanhol decepcionava. Cinco corridas antes do final da temporada, Heidfeld, que tinha aceito um emprego exclusivo para testar os novos pneus Pirelli, foi chamado para voltar ao cockpit em corridas. E ele não decepcionou, marcando 6 pontos – o mesmo número de pontos de De la Rosa em 14 corridas! De repente, o alemão estava de volta nas fofocas para 2011, já que ele tinha tido bom desempenho e tinha conhecimento exclusivo dos novos pneus. Mas, no final das contas, ninguem o chamou – e mais uma vez, Heidfeld parecia ter uma janela de transferências triste.
Agora, ele está de volta. E ainda por cima num carro que promete ser ainda melhor do que no ano passado, quando Kubica marcou 136 pontos e três pódios, terminando a temporada em sétimo lugar. Renault pode ser um carro para disputar pódio toda corrida, este ano. Será, finalmente, o ano em que Heidfeld vence a sua primeira? Uma coisa afirmo: ele mereceria. 11 pódios, 6 vezes segundo colocado…
PITACO: Heidfeld deve vencer Petrov no duelo interno e deve estar nos pontos constantemente. Se o carro for realmente tão bom quanto alguns dizem, pode até entrar na disputa pelo título; mas acho improvável, por enquanto.















Comentários