O Jovem Rei da Chuva
Posted on 20. May, 2009 by Marcio in Formula 1

Vettel quando entrou na F1
Cada vez mais pessoas estão lendo sobre e ouvindo falar de um piloto de F1 dono de um sobrenome estranho, quase engraçado. Sebastian Vettel tem comumente sido vendido como o próximo Michael Schumacher, por ser alemão e, aparentemente, talentoso. Neste final de semana em Monte Carlo, Vettel cumprirá o seu 32º final de semana completo na F1, um número expressivo visto que ainda tem 22 anos de idade. Mas ele já é visto como futuro campeão, talvez até como adversário para Jenson Button já nesta temporada, e a longo prazo, um adversário a altura para outro britânico, Lewis Hamilton.
A Formula 1 vive de emoção, performances brilhantes no seco e principalmente no molhado, ultrapassagens ousadas, acidentes. Mas, acima de tudo, a F1 adora os grandes duelos entre pilotos diferenciados. Eu tenho assistido corridas desde 1989, quando o duelo da vez era emocionante, e as vezes até desleal: Senna contra Prost dominava a cena, e levava milhões às TVs. Depois, vieram duelos menos emocionantes, mas mesmo assim marcantes: Schumacher v Senna (infelizmente apenas por 3 corridas, prometia ser um duelo quem sabe ainda maior do que aquele entre o brasileiro e o “professor” francês), Schumacher v Hill, Schumacher v Hakkinen. Depois, muito tempo nada (muita gente considera a fase de dominação Ferrarista a mais chata da história), até que apareceu Alonso no caminho do alemão. Atualmente, não temos um duelo emocionante, mas temos corridas imprevisíveis com vários duelos e pilotos de excelente qualidade. Mesmo assim, torço para voltar a ter um duelo – e aposto no mais jovem campeão de todos os tempos, Hamilton, contra este alemãozinho ainda jovem também – Vettel. Um duelo que pode durar mais que uma década, se as circunstâncias permitirem. Atualmente não permitem, dada a inferioridade da McLaren Mercedes em relação ao Red Bull Renault. Quem sabe, no ano que vem. E, porque não, como Vettel como campeão…
O jovem Sebastian nasceu em Heppenheim, uma pequena cidade entre Darmstadt e Heidelberg, no estado de Baden-Wüttermberg, onde a minha familia na Alemanha mora. Aos sete anos de idade, já mostrava talento enorme em corridas de karts, e a sua mudança para carros de formula quando tinha 16 anos ocorreu tranquila. Aos 17, virou celebridade na Alemanha quando venceu 18 de 20 corridas na Formula BMW e começava a ser comparado com um dos maiores pilotos de todos os tempos, o também alemão Schumacher. Na Formula 3, continuou com o sucesso, e foi o piloto convidado a pilotar o carro de Lewis Hamilton, quando este foi para a F1. O caminho para a principal categoria estava já traçado.

Vettel testando a BMW em Interlagos...
Finalmente veio a chance, aos 19 anos: como piloto de testes da BMW Sauber, Vettel participou dos treinos de sexta-feira no GP da Turquia em 2006. De quebra, fez o melhor tempo, impressionando a categoria. Villeneuve tinha deixado a equipe, e o piloto reserva antes dele, Robert Kubica, tinha se tornado titular, então Vettel começou 2007 como piloto de testes da BMW. Antes de completar 20 anos, veio a estréia numa corrida. Por causa do terrível acidente de Kubica no Canadá, Vettel pôde tentar a sua sorte no GP dos EUA. Fez o sétimo tempo no gride e terminou a corrida em oitavo, tornando-se o piloto mais jovem a conquistar um ponto na principal categoria do automobilismo mundial.
Em julho de 2007, a BMW o liberou para substituir o americano Scott Speed (que não era nada rápido) na equipe Toro Rosso, a antiga Minardi comprada pelo dono da Red Bull e usada como filial, time B. Vettel não teve desempenhos impressionantes inicialmente, mas quando choveu no GP do Japão, ele apareceu pela primeira vez: Atrás de Hamilton e Mark Webber (Red Bull na época e hoje), Vettel estava em terceiro numa fase de Safety Car quando bateu na trazeira do australiano, perdendo a chance do primeiro pódio da sua equipe, na história. Webber reclamou da falta de experiência, Hamilton foi culpado por freadas bruscas, mas Vettel foi visto inconsolável e chorando ao fim da corrida. Mas, já na próxima semana, no GP da China, ele terminou em quarto – mais uma vez numa corrida que teve chuva. Ao final da temporada, o dono da Red Bull foi contactado pela McLaren para contratar Vettel no lugar do Alonso, mas ele não foi liberado e começava, no ano passado, a sua primeira temporada completa na F1.
Ela começou quase que de forma característica: o talento ficava claro desde o início, mas a falta de experiência também. Por motivos variados, Vettel não viu a linha de chegada nas primeiras quatro corridas, e precisou da chuva em Monaco para terminar entre os pontos pela primeira vez (quinta colocação). A partir daí, começou a mostrar não apenas o seu talento e um certo amadurecimento, mas também o seu outro lado forte, o lado técnico. Desde adolescente, Vettel é conhecido por ser obcedado pelas questões técnicas como set-up e os mínimos detalhes do carro. Ele já tem ganhado a fama de desenvolver carros, o que ficou visível na temporada passada, quando a Torro Rosso passou a ser um carro competitivo. Isso foi mostrado de forma impressionante no GP da Europa, quando Vettel marcou o melhor tempo no Q2 do treino oficial, se classificou em sexto e terminou a corrida em sexto – no seco! Na próxima corrida, no molhado, Vettel fez a pole pela primeira vez, tornando-se o piloto mais jovem a conseguir isso, aos 21 anos. No domingo, debaixo de chuva, venceu a corrida de ponta a ponta num Torro Rosso, mesmo sendo pressionado pela McLaren (na época o melhor carro), tornando-se obviamente o piloto mais jovem a vencer.
Mais momentos brilhantes vierem, principalmente a última corrida do ano passado, quando ficou em segundo por boa parte da corrida, atrás do Felipe Massa, e no final fez uma ultrapassagem quase decisiva em cima de Lewis Hamilton. Não se esqueçam: numa Toro Rosso contra o britânico que lutava pelo título mundial! A mudança para o time A, a Red Bull, já estava decidida, e muita gente (eu inclusive) começava a questionar esta mudança, já que graças ao Vettel a equipe B tinha alcançado um desempenho superior a equipe A e terminava o campeonato com mais pontos. Vettel terminou a temporada em oitavo, com impressionantes 35 pontos.

O futuro promete...
Atualmente, Vettel tem sido extremamente forte com uma Red Bull que veio para ser equipe de ponta, enquanto a Toro Rosso voltou para o fim do grid. Seu companheiro Webber, conhecido na cena por ser fantástico no treino e inconsistente em corridas, tem sido superado pelo seu jovem companheiro tanto nas corridas como nos treinos, onde Vettel tem ficado entre os três melhores constantemente. A sua segunda vitória, esta mais grandiosa ainda, veio em uma corrida de chuva na China; no mesmo lugar onde ele jogou fora um pódio dois anos antes, quando bateu no seu hoje companheiro. Vettel ainda mostra sinais de inexperiência (jogou fora um segundo lugar na Australia quando teve um acidente com Kubica a 3 voltas do final), mas se continuar crescendo durante o ano, e com o carro (o que também é o seu forte), pode atacar o inglês Jenson Button já neste ano. E, para o futuro, quem sabe haja mais um grande duelo na história da F1 – Vettel x Hamilton!






Rafael Gonçalves
20. May, 2009
Realmente, tem tudo pra ser um grande piloto, exceto por um detalhe: será que terá adversários? Digo isso porque, com a recente crise instaurada na F1, quem competirá (verdadeiramente, em alto nível) na F1 no ano que vem? Se ele disputar posições com Ferraris, Renaults e demais grandes escuderias, ok, estará provado seu valor. Mas e se as grandes realmente abandonarem o “circo”?! Não nos esqueçamos do Schumacher. De fato ele foi um grande piloto, mas muita gente (inclusive eu) acha que ele não teria o mesmo desempenho surpreendente disputando com Ayrton Senna, Nigel Mansel, Alain Prost, Nelson Piquet e cia. Ademais, a Ferrari nessa época, na maioria das vezes, sempre esteve anos-luz dos demais carros o que também ajuda a “diminuir” o feito do heptacampeão Michael Schumacher. Espero que o “azar” da superioridade contestada não aconteça mais uma vez e, novamente, com um alemão. Vamos ver…
Marcio Gonçalves
20. May, 2009
Olha… ainda vou escrever sobre a carreira do Schumacher, aí a gente discute isso…
Marcio Gonçalves
20. May, 2009
ah, e as equipes querem sair da F1 se ela impor um teto de gasto, quer dizer, é bem o contrário: os times querem continuar gastando mais…
Rafael Gonçalves
21. May, 2009
é isso aí marcio… todo mundo quer gastar. exatamente! e eu acho que tem que gastar mesmo. F1 é sinônimo de avanço automotivo… mas é isso que eu to falando: o fato de elas sairem (ainda que seja pq querem gastar mais) acho que vai tornar o “circo” menos potente e aí é que eu acho que o Vettel pode sair “prejudicado”…
e quero ver essa biografia não autorizada do schumi, hein… rs…
abraços!
ana carolinaName
10. Sep, 2010
realmente o Vettel é um grande piloto,eu ñ consigo tirar os olhos da tv,fico ansiosa quando começa a corrida,torço para este lindo piloto que eu amo!!!!