Nova Série: A Alemanha antes da Copa de 2010!

Posted on 15. Feb, 2010 by in Copa do Mundo, Futebol, Futebol Internacional

O último título de campeão mundial foi o problema para o futuro do futebol alemão. Aqui, a gloriosa seleção de 1990!

O último título de campeão mundial foi o problema para o futuro do futebol alemão. Aqui, a gloriosa seleção de 1990!

Não há outra seleção que sigo tão de perto quanto a seleção alemã. Cresci na Alemanha, e sou adepto da seleção local desde a Euro 88. Vi os altos e baixos, e acompanho de perto todas as equipes da Bundesliga e os desempenhos de alemães fora do país. Nesta série, vou analisar a provável tática, os jogadores que concorrem às vagas, e no fim vou sugerir a minha convocação, a minha seleção titular e as chances na Copa deste verão/inverno. Começamos hoje com a tática da seleção.

Jogi Löw, técnico da seleção desde 2004 (na época com Jürgen Klinsmann ainda como “Teamchef”), é conhecido pela vontade de mordenizar o futebol alemão. Na verdade, desde o título brilhante em 1990, a seleção estava em necessidade de renovação – tanto de jogadores como de tática, estrutura e tantas coisas mais. Infelizmente, bons resultados sempre atrapalharam as ambições dos revolucionários. Na Euro de 92, a Alemanha foi vice. Após o desastre da Copa de 94 (mesmo chegando às Quartas-de-final), parecia haver uma chance de renovação, mas daí veio o título na Euro 96. Após os próximos dois torneios (fracassados), a Copa da França (Quartas contra a Croácia) e a eliminação na fase de grupos da Euro 2000 (perdendo de 0×3 dos reservas do Portugal no jogo decisivo), parecia ter chegado a hora de mudar.

Rudi Völler, um dos atacantes de seleção de 90, não conseguiu sucesso com a nova tática de 4-4-2 na Euro 2004. Klinsmann, o seu companheiro de ataque em 90, tornou-se o seu sucessor.

Rudi Völler, um dos atacantes de seleção de 90, não conseguiu sucesso com a nova tática de 4-4-2 na Euro 2004. Klinsmann, o seu companheiro de ataque em 90, tornou-se o seu sucessor.

Finalmente foi feito um plano extremamente bem bolado para as seleções juvenis e jovens, com a esperança de quem um dia, a base da seleção pudesse voltar a ser forte. Afinal, a seleção estava se “selecionando” quase automaticamente, poucos jogadores estavam jogando a nivel internacional. Em 2002, a seleção não jogou muito bem, mas chegou à final, mais uma vez adiando mais mudanças necessárias. Finalmente, após a eliminação na fase de grupos na Euro novamente, a mudança veio através de Jürgen Klinsmann, que veio com a proposta de revolucionar o futebol nacional. Com ele veio Jogi Löw, técnico (ao contrário de Klinsmann), que sempre estava atualizado com as mais novas tendências e tecnologias do futebol. A visão era de que o jogo dos alemães se tornasse mais vertical, veloz, técnico, envolvente ofensiva e defensivamente. Quem viu de perto a Copa de 2006 pôde testemunhar o sucesso desta nova tática, principalmente no jogos das Oitavas-de-final contra a Suécia, onde o primeiro tempo pode ser considerado a perfeição do novo esquema tático de Löw, apoiado pelo seu então chefe, Klinsmann. Mesmo a semifinal perdida contra a Itália, que esteve empatada em 0×0 por 118 minutos, foi um jogo de altíssimo nível futebolístico e tático.

A tática do Real Madrid também se parece com a tática da seleção alemã, e é atualmente a tática mais usada no mundo.

A tática do Real Madrid também se parece com a tática da seleção alemã, e é atualmente a tática mais usada no mundo.

E realmente, a mudança é drástica. Em 2000, a seleção ainda jogava com a tática de 90: goleiro, líbero, dois zagueiros, dois laterais praticamente no meio campo, dois volantes, um meia “número 10″, e dois atacantes. Pelo material humano, até que funcionava, mas não era nem eficiente, nem moderno. O problema é que os jogadores alemães já estavam acostumados com estas posições. Não havia lateral zagueiro moderno ou volantes modernos, não havia pontas – porque não fazia parte da tática da seleção alemã. A primeira coisa que Matthias Sammer, chefe das seleções sub-21 e abaixo, definiu junto à seleção principal foi o tipo de jogadores que eram para surgir das categorias de base. Foi então decidida a extinção do líbero e do número 10, em favor de laterais mais eficientes defensivamente, mas mesmo assim fortes ofensivamente; meio-campistas centrais que jogam como volantes, mas que dominam o jogo de uma posição mais funda no campo, comparado ao antigo número 10. E pontas velozes e técnicos, que criavam triangulos com os seus laterais, os volantes e/ou os atacantes. Neste esquema, não haveria mais lugar para jogadores antigos dos anos 90 como Andy Möller, Andreas Brehme ou mesmo Matthias Sammer, que foi líbero no final de sua carreira. Michael Ballack era o exemplo de um novo meia moderno, e o novo chefe absoluto da seleção.

A tática da seleção alemã - parece com a tática de Dunga?

A tática da seleção alemã - parece com a tática de Dunga?

Hoje, Jogi Löw tem uma tática bem definida. Um goleiro que jogue como último homem, uma zaga que joga bem avançada, que seja forte de cabeçeio, mas também técnica para fazer sair bem a bola, com qualidade; e que sejam velozes, para jogar com poucas faltas perto da área. Dois laterais fortes táticamente, com boa noção de posicionamento e boa % de duelos diretos ganhos, mas que também apoiam constantemente o ataque e podem ir à linha de fundo, para cruzamentos perigosos. Dois voltantes que se entendam taticamente entre eles (sempre apenas um sobe, mas isso pode ser alternado durante o jogo); fortes no duelo direto e no posicionamento tático; agressivos, mas com qualidade para dirigir um jogo e passar a bola, bem como finalizar e marcar gols. Dois meias ofensivos que venham dos lados; sejam habilidosos no drible, criativos, vão para dentro do campo (para deixar os laterais passarem), procuram marcar gols. Mas é importante que eles participem bem ativamente da defesa, diferente do antigo número 10; podem trocar de posição entre eles, no ataque. E finalmente, no ataque dois finalizadores natos, sendo que um deles seja mais físico e forte no cabeceio, e o outro mais técnico, também buscando a bola mais do meio campo e armando.

É uma tática clara, mas que deixa bastante espaço para interpretação, para respirar, para criatividade. A próxima busca de Löw seria achar jogadores e reservas que pudessem se alinhar com estes crtiérios. E não deu outra: boa parte das equipes da Bundesliga jogam atualmente com a tática da seleção, que sempre tem a influencia tática de cima para baixo. Assim, material humano parece haver em quase todas estas áreas do campo, e em abundância em algumas delas. Veremos isso mais tarde.

jogi löwJogi Löw, por sinal, fez 50 anos recentemente. Ele nasceu e cresceu no sudoeste da Alemanha, perto da Suíça e da França. Jogou na Bundesliga defendendo o Freiburg, Karlsruhe e Frankfurt, nunca mais do que 300 km da sua cidade natal. Surpreendentemente, tornou-se técnico jovem do tradicional VfB Stuttgart aos 36 anos, onde fez um nome como técnico ofensivo. Foi dento desta era que o trio Balakov-Bobic-Elber foi chamado de “triangulo mágico” na imprensa alemã, e o Stuttgart era aclamado por apresentar o futebol mais belo do país. Löw passou também pela Turquia (onde foi campeão pelo Fenerbahce) e Austria, quando Klinsmann o chamou para ser o seu técnico na seleção em 2004. Atualmente, há uma disputa sobre o prolongamento do contrato para além da Copa. Todos querem que Löw fique, mas houve algumas complicações e agora este assunto só voltará após a Copa. É claro que o público quer continuar com ele como técnico, e ele também quer.

O mais importante para Löw é que os ataques sejam velozes, que os passes sejam seguros, que se arrisque bem mais do que antigamente, que recuperar a bola é uma das ações mais importantes num jogo moderno de futebol. Eu creio que este sistema tático é muito moderno e ao mesmo tempo combina com as qualidades tradicionais de um jogador alemão. É nesta tática que o jogador da seleção poderá encontrar a segurança necessária para desenvolver a sua força, criatividade e objetividade, que podem levar a seleção mais longe do que muita gente acredita – ou tão longe quanto muita gente teme!

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2 Responses to “Nova Série: A Alemanha antes da Copa de 2010!”

  1. PAULO GREGOREKI

    27. Jun, 2010

    CHORAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA GERRARD!!!

  2. PAULO GREGOREKI

    27. Jun, 2010

    ALENANHA CLASSIFICADA!!!

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