Ano 5 – Senna finalmente consegue o seu título!
Posted on 30. Jul, 2009 by Marcio in Formula 1

Os carros de F1 da temporada de 1988 - e melhor e único candidato a vitórias é o segundo da esquerda, pilotado por Senna e Prost!
A temporada de 1988 virou um duelo entre Senna e Prost, graças aos novos motores da Honda que Senna trazia da Lotus para a sua nova equipe, a McLaren. No começo, nem pareceu: Ferrari parecia continuar onde terminaram em 1987, na liderança. Alboreto e principalmente Gerhard Berger esperavam disputar o título com as McLarens de Prost e Senna, e as Williams, de Mansell e Patrese. O campeão mundial Piquet tinha tomado o lugar de Senna na Lotus, e surpeendeu com a quarta colocação no grid em Jacarepaguá, na primeira corrida do ano, no Brasil. Senna foi pole, a frente de Mansell, supreendente, e Berger. Mas o brasileiro teve problemas com a caixa de câmbio na volta de apresentação, trocou de carro e largou em último. Infelizmente, isso era proibido, e Senna recebeu a bandeira preta quando já estava em segundo lugar (!!) após apenas 20 voltas!!! Prost venceu, com Berger em segundo. Em Ímola, Senna confirmou a impressão no Brasil e liderou uma dobradinha McLaren. Piquet terminou em terceiro, e dois carros da Benetton ficaram nos pontos. Senna também sobrou na famosa terceira corrida do ano, em Mônaco, mas abandonou quando tinha uma “semana de vantagem” para o seu companheiro Prost. Berger, em terceiro, agora já somava 14 pontos, cinco a mais que o Senna. Prost liderava com 24 pontos, mas todos sentiam que Senna estava e era melhor. Mas todos sabiam que isso poderia mudar: Senna meteu 1,4 segundos (!!) no Prost na pole em Mônaco, e 2,7 segundos no Berger, da Ferrari. O problema dele foi que ele começou a diminuir o ritmo nas últimos 15 voltas, e pouco tempo depois perdeu a concentração, errou, bateu e deixou a vitória com o Prost. Já estava ficando claro: a Ferrari era o segundo carro do pelotão, a Williams o terceiro. E a Benetton estava lutando com a Lotus. Que foi conseguindo o terceiro posto entre as equipes no GP do México. Senna foi pole, mas perdeu a liderança pro Prost,; houve várias trocas de liderança entre os dois, mas no fim, foi o francês que venceu, enquanto Senna tinha que cuidar o nível de combustível. Agora, parecia ficar complicado. Prost tinha 33 pontos, Berger 18 e Senna apenas 15. Nas próximas duas corridas, Senna, porém, venceu Prost (Canadá e Estados Unidos), e Berger abandonou, deixando a disputa pelo título dentro da equipe McLaren. Thierry Boutsen, da Benetton-Ford, foi ao pódio em ambas as ocasiões. Prost agora tinha 45 pontos, Senna 33.
Na França, correndo em casa, Prost foi realmente superior ao Senna pela primeira vez na temporada. Fez a pole e venceu com 30 segundos de vantagem. Ferrari número dois, Lotus e Benetton lutando pelo terceiro posto – e o Nigel Mansell? Sétima corrida do ano, sétimo abandono! E ainda largou em nono, numa Williams irreconhecível. Senna precisava não apenas de vitórias, mas de abandonos do Prost. Por isso, o GP da Inglaterra foi tão importante. A Ferrari se classificou na primeira fila, a frente de Senna. Prost largaria em quarto, Mansell, em casa, apenas em 11º. Prost caiu fora cedo, Mansell conseguiu um incrível segundo lugar, Ferrari teve abandono duplo, e, na chuva, deu Senna! Prost 54, Senna 48. Apenas seis pontos agora! Agora Alemanha, Hungria, Bélgica – Senna, Senna, Senna! E em segundo? Prost, Prost, Prost! Mas aí entrou a antiga regra na F1: só os melhores 11 resultados eram contados, nas 16 corridas. Bélgica foi a 11ª corrida, e Prost tinha agora 72 pontos, mas apenas um abandondo. Senna tinha 75 pontos, apenas três a mais que o “professor”, mas dois abandonos. Se fossem tiradas os cinco piores resultados, Senna tinha 54 pontos, contra 48 de Prost. Vantagem Senna. E quando Prost abandonou em Monza, parecia que o título estaria perto de estar decidido, faltando apenas 4 corridas após aquela. Mas Senna, liderando, cometeu um erro ao passar um retardatário, e bateu. Dobradinha da Ferrari em casa, mas ainda vantagem Senna. Mas será que a oportunidade perdida ia ter conseqüências? Na contagem tirando os cinco piores resultados, Senna agora tinha 63 pontos, contra 54 do Prost.
Estoril. Nona dobradinha na classificação, mas Prost a frente do Senna. O francês venceu a corrida, após uma disputa desleal na primeira curva, quando Senna tentou passar onde não tinha espaço. O clima ficou pesadíssimo após esta corrida, entre os dois, e Senna, com problemas, terminou apenas em sexto. Na classificação sem cinco resultados, Prost subia para 57 pontos, contra os mesmos 63 do Senna. Ele precisava de mais vitórias para eliminar os segundos lugares. No total, Senna estava com 76 pontos, contra 81 do Prost. Este reclamava abertamente que Senna copiava todos os seus setups (o professor era mestre nisso) e o vencia por causa disso. O que era verdade, deixando claro que Senna era melhor piloto, enquanto Prost trabalhava melhor o carro.
Na Espanha, Senna largou na pole, mas perdeu duas colocações logo na largada. Terminou em quarto, com Prost vencendo. Mas ironicamente, ele ia se dando bem com estes maus resultados. Agora, tinha 75 pontos na contagem, já que tinha exatamente sete vitórias e dois segundos lugares – nove resultados fortes! Prost tinha cinco vitórias e quatro segundos lugares como melhores resultados, chegando a 69 pontos. Pena pra ele que na contagem geral, ele tinha agora ampla vantagem, com 90 pontos contra 79 do Senna. Isso queria dizer que ele poderia ser campeão antecipado no Japão, se fosse na contagem de hoje. Mas faltando apenas duas corridas, emoção pura!!! Era Senna que poderia se tornar campeão, se vencesse no Japão! Com uma vitória, ficaria com 8 corridas vencidas (seria recorde mundial), dois segundos lugares, e um quarto lugar, chegando a um total de 87 pontos. Prost, mesmo chegando em segundo e vencendo a última corrida, poderia ainda chegar a sete vitórias e quatro segundos lugares, 87 pontos, mas perderia o título por ter uma vitória a menos. Incrível regra, mas justa de certa forma, pelo menos nesta temporada…

A decisão: após erro de largada e caindo até o 14º lugar, Senna usou talento, chuva e tráfego para chegar em Prost, e passá-lo, para conquistar o seu primeiro título mundial!
Suzuki. E a razão porque Senna era tão amado. Ele conquistou a pole, mas errou na largada, deixando o Prost se mandar. O brasileiro estava em 14º quando conseguiu finalmente chegar na primeira curva. Mas na quarta volta, Senna já estava em quarto lugar!!! Na volta 14, a chuva começou – sempre bom pro Senna! Prost perdeu a liderança para Capelli (num March), mas logo o francês se recuperou, e o italiano abandonou. Na volta 27, Senna chegou em Prost e o deixou para trás em mais uma ultrapassagem espetacular. E não houve mais mudanças na corrida, Senna venceu a frente de Prost de forma merecida e conquistou o título! Engraçado, na verdade, porque ele chegava a 88 pontos, com Prost em 96 pontos, praticamente campeão se fosse hoje. Mas nas regras da época, o título já estava decidido em favor do brasileiro.
Na última corrida, na Austrália, Prost levou a sua sétima vitória, mas não foi suficiente nem para superar a frustração. Senna era campeão, mesmo fazendo 11 pontos a menos na temporada. Mas quem viu, não duvida – Ayrton Senna era um campeão merecido, simplesmente porque era melhor que o Prost. Em várias situações, tomou decisões questionáveis (roubar setups, exagerar na pista na hora de passar), mas sem dúvida mereceu.

Prost vence a última corrida do ano, mas Senna já era campeão: o duelo ficou feio durante a temporada, com acusações de ambos os lados, mas no final, uma imagem de paz e respeito...
Aqui também nasce um pouco do mito de Senna. Na época, existiam os carros turbo e não turbo, e a diferença era gritante. É só ver os grids de largada para ver como os carros tinham níveis diferentes, as distâncias eram enormes. E ainda tinha o famoso vácuo, que facilitava a ultrapassagem, comparando a hoje. Senna se provou contra Prost, sem dúvidas. E isso é um feito e tanto. Mas as ultrapassagens em corridas onde o carro dava problema ou ele cometia erros e depois recuperava posições hoje seriam impossíveis: a aerodinâmica não permite mais aproveitar-se do vácuo, a diferença entre pole e terceiro na época hoje é a diferença entre primeiro e último colocado – é como se Senna passasse um Toro Rosso atrás do outro pra chegar na frente, e mais fraco ainda.
Só que por causa destas corridas, com troca de lideranças com Prost as vezes espetaculares (isso sim!), Senna recebeu o selo de mito que seria difícil repetir se estivesse correndo hoje.
Não estou desmerecendo o primeiro título de Senna, que foi brilhante e emocionante. Mas ele estava com o único carro que tinha condições reais de ganhar, e venceu o seu oponente, Alain Prost, na época bicampeão. Mas acho que o talento dele brilhou mais na temporada de 84, quando ele estava com a Lotus e lutava pelo título contra as poderosas Williams e McLaren, e superando as Ferraris. Até porque, se fosse hoje em dia: Prost teria sido campeão com 11 pontos de vantagem, e lideraria a temporada após todas as corridas menos duas.



Denisson Reis
17. Aug, 2009
Marcio, para acabar com essa tua discussao ridicula e visivelmente apaixonada… (pelo alemao eh claro):
Naum da para comparar um e outro pq os tempos (e as dificuldades em dirigir o carro) saum outros!
Senna correu e foi campeao numa epoca q tinha adversarios mto mais fortes do q Schummi ou vc quer comparar Prost, Mansell, Piquet com Irvine, Damon Hill, Montoya e Rubinho (HAHAHHAHAHA)… Ah para com isso!!
Marcio
17. Aug, 2009
primeiro vc manda parar de comparar e depois vc vai lá e compara? decida-se mano! Rubinho é melhor que Mansell, se for pra comparar!
Gustavo
01. Sep, 2010
Rubinho Melhor q Mansell…essa eh boa.rs