Ano 4: Senna começa era Honda e Mônaco, mas Piquet é tri!

Posted on 05. Jun, 2009 by in Formula 1

 

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Desenho de Senna no seu novo carro amarelo, em Mônaco 87

Prost começava a temporada sem ser favorita, mesmo sendo o atual bicampeão. O favorita era Nigel Mansell, cujo carro tinha evoluído durante a temporada anterior, e continuava superior às McLaren. Por causa disso, Nelson Piquet tinha boas chances também; e Senna prometia, desta vez, brigar até o final, com o seu novo motor.

Foi Prost que venceu a primeira corrida no Brasil, deixando Piquet atrás dele e alimentando as esperanças da torcida francesa. Mansell chegou em sexto (teve problemas), Senna não completou a prova. Mas ele mostraria a sua força na segunda corrida, quando chegou atrás apenas de Mansell, desta vez sem problemas. Como Prost e Piquet não completaram esta corrida (em Ímola), o Leão já assumia a liderança do campeonato. Mas Prost voltou a sonhar com o tri quando liderou uma dobradinha McLaren na Bélgica, contando com o abandono dos outros carros. Mas mesmo assim, defender o título parecia pouco provável. Mansell tinha feito a pole com quase 1,5 seg de vantagem sobre Piquet, seguido por perto de Senna, dando pistas de um domínio dos motores Honda. As Ferraris ficaram a frente de Prost, que apenas largou em sexto, com Johansson em décimo. Portanto, a esperança era pouca. Mansell seguia como grande favorita, Piquet e Senna é que pareciam ser adversários a altura. Mas o líder do campeonato era Alain Prost.

 

Senna no principado: primeira de muitas vitórias na charmosa Monaco!

Senna no principado: primeira de muitas vitórias na charmosa Monaco!

Chegou o final de semana de Mônaco. E o início do reinado de Ayrton Senna, que venceu até mesmo o seu compatriota para levar a sua primeira vitória no principado. Mansell mais uma vez não completou a corrida, o que começava a preocupar, e Prost chegou, mas fora dos pontos. Prost, 18. Senna, 15. Piquet, 12. E Mansell, o favorita, com apenas 10 pontos após 4 corridas.

Nigel Mansell mais uma vez teve problemas nos Estados Unidos e terminou apenas em quinto – em mais uma corrida vencida por Ayrton Senna, a frente de Nelson Piquet. Começava a ficar humilhante, o brasileiro com o mesmo motor mas carro inferior chegando a frente do outro. Senna agora era o líder do campeonato, com 24 pontos, dois a frente de Prost; os dois favoritas estavam atrás – Piquet com 18, Mansell com 12 pontos.

Mas na França e Inglaterra, o Leão mostrou a que veio. Venceu sem problemas, ambas as vezes fazendo a dobradinha da Williams com o seu companheiro Piquet, que agora tinha quatro segundos lugares consecutivos, e cinco na temporada. Prost chegou ao pódio na Inglaterra, a frente de Senna, mas abandonou na França, deixando Senna no pódio. Mansell agora tinha 30 pontos, igual ao seu companheiro Piquet, mas com três vitórias, contra nenhuma do brasileiro. Senna ainda liderava a temporada, com 31 pontos, e Prost tinha 26 pontos. Mais uma vez parecia ser uma temporada espetacular entre estes quatro pilotos, se não fosse pela óbvia superioridade das Williams.

 

Momento mais feliz para Senna na temporada: vitória em Mônaco pra cima do rival Piquet!

Momento mais feliz para Senna na temporada: vitória em Mônaco pra cima do rival Piquet!

Quando Mansell abandonou na Alemanha, Piquet se aproveitou do momento e abriu nove pontos sobre o companheiro, com a sua primeira vitória. Senna desta vez chegava atrás de uma McLaren (Johansson), mas conseguia o pódio. Finalmente Piquet havia vencido, e ainda com Senna na pista. Na Hungria, dobradinha brasileira (Mansell mais uma vez com problemas), e com Piquet na frente. De repente, a temporada parecia não ficar tão emocionante, afinal. Piquet tinha 48 pontos, Mansell, o favorita, ainda 30. Senna tinha 41, mas não parecia lutar com Piquet, e Prost, com 30 pontos, já estava fora da briga pelo tri.

 

 

Nelson Piquet, em Monza: talvez a melhor corrida dele numa temporada onde ele se destacou pela regularidade.

Nelson Piquet, em Monza: talvez a melhor corrida dele numa temporada onde ele se destacou pela regularidade.

Na Áustria, Senna teve problemas e ficou em quinto; a sua esperança agora era a superioridade de Mansell em cima de Piquet, que podia diminuir os pontos do brasileiro. Mansell venceu na Austria, determinado a ainda virar uma temporada que lhe parecia tão desfavorável, mas Piquet completou a terceira dobradinha da Williams – sempre atrás de Mansell. Em Monza, Senna finalmente conseguia se infiltrar entre as Williams – mas para o seu azar, atrás de Piquet, que ficava cada vez mais com cara de campeão! Piquet agora já somava 63 pontos, com Senna preso em 49 pontos. Mansell tinha 43 e mais carro que Senna, ameaçando a tirar dele até mesmo o segundo lugar. Faltavam apenas cinco corridas, parecia pouco para ameaçar o Piquet, que se tornava favorita pela regularidade – só tinha dois abandonos, e no mais sempre vitórias ou segundos lugares. Quando Mansell abandonou no Portugal, a temporada estava decidida contra o Leão, que mais uma vez não aproveitara a chance de ser campeão. Senna não chegou nos pontos, também se despedindo da luta pelo título.

E mesmo com mais duas vitórias do Leão pra cima de Piquet, levando o inglês a vice-campeonato, foi o brasileiro que levantou a taça de campeão no final da temporada – Nelson Piquet tricampeão! Que frustrante para Senna, que ainda não tinha o título, ver o seu rival ser campeão pela terceira vez!

A temporada terminou com duas vitórias de Berger pela Ferrari, a segunda com direito a dobradinha, o que deixou os italianos louquinhos pela nova temporada – e a esperança de um campeão após uma incrível seca de nove anos!

Resumindo, eu diria o seguinte: Piquet foi mais regular do que Mansell, mas não o melhor piloto. Em condições normais, Mansell deu um pau no Piquet. O mérito de Senna foi ter terminado a temporada a frente de Prost, mesmo tendo vencido menos. No início da temporada, Senna estava vencendo Piquet, mas depois, não conseguia mais nem chegar perto. Mais uma vez, ele começava a temporada lutando pelo título e nem chegando perto dele, no final. O carro não evoluía, e a pergunta pode ser feita, claro sem resposta: será que pelo menos parte da responsabilidade por isso era do próprio Senna? De qualquer forma, Senna assinava um contrato para ir a McLaren, para ser companheiro de Alain Prost e assim tentar combater as Williams. Com ele, Senna levava o que ele acreditava seria a chave pro título – os motores dos seus novos amigos da Honda!

 

Piquet em Monza - raras vezes a frente destes dois, mas a foto representa a temporada: Piquet no topo, Mansell e Senna só olhando...

Piquet em Monza - raras vezes a frente destes dois, mas a foto representa a temporada: Piquet no topo, Mansell e Senna só olhando...

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