Ano 3: 1 Leão + 1 Professor + 2 Brasileiros = Espetáculo F1!
Posted on 31. May, 2009 by Marcio in Formula 1

A temporada começa com uma dobradinha brasileira no Rio - Piquet a frente de Senna, como na maior parte da temporada!
Esta temporada foi tão emocionante e espetacular que ela merece um post único. No próximo, veremos o ano 3 de Schumacher e a comparação destes dois anos.
Senna começou a sua terceira temporada em 1986 com a esperança de ter um carro para competir pelo título. A segunda metade da temporada anterior tinha apontado nesta direção; mas para a sua decepção, a Williams, que dominara o final de 85, realmente estava com o melhor equipamento. Era outro brasileiro, Nelson Piquet, que tinha uma melhor chance ao título, já que estava com o melhor carro, ao lado de Nigel Mansell. Prost tentaria repetir o título pela McLaren, ao lado de Keke Rosberg. O objetivo realista de Senna seria terminar a temporada em quinto. Senna tinha um novo companheiro de equipe – o britâncio Johnny Dumfries teve temporada tão horrível que nunca mais apareceu na F1, após esta sua única temporada. 10 abandonos, 4 chegadas sem pontuas, um total de apenas 3 pontos. Com isso, ficava claro que a diferença entre a Lotus e a Ferrari era o piloto – Ayrton Senna!

Mansell quer passar, mas a linha de chegada chega: Senna vence com 14 milésimos de vantagem, na segunda corrida, e é o líder da temporada!
Logo na primeira corrida, a dobradinha era brasileira: Piquet a frente de Senna, em meio a abandonos de todos os outros pilotos de ponta. Na segunda em Jerez, Senna venceu Mansell (por históricos 0,014 s), Prost e Rosberg na pista, assumia a liderança do campeonato de F1 pela primeira vez na carreira – e mais uma vez mostrava o seu incrível talento! Em San Marino, Senna abandonou e Piquet, terminando segundo atrás de Prost, se igualava a ele na ponta do campeonato. Prost venceu Monaco e passou a frente na disputa pelo título – Senna foi ao pódio, ficando atrás de Rosberg, mas deixando Piquet e Mansell para trás. Ele era o segundo na temporada, três pontos atrás de Prost e quatro a frente de Piquet. Nas duas próximas corridas, o “Leão” acordou, vencendo na Bélgica e no Canadá. A Williams mostrava a sua força, e Senna fazia o que pode: segundo em Spa, mas em quinto no Canadá – atrás exatamente das Williams e da McLaren. Após a Bélgica, Senna tinha reconquistado a liderança no campeonato, mas após o Canadá, estava com 27 pontos – um atrás de Prost e igual em pontos em relação ao Mansell, mas com uma vitória a menos, em terceiro. Piquet (19) e Rosberg (14) acompanhavam de longe a disputa pelo título.
Mas nos Estados Unidos, Senna foi espetacular, venceu e assumiu mais uma vez a liderança! Prost foi ao pódio (terceiro), Mansell ficou em quinto, e tanto Piquet como Rosberg abandonaram a corrida e o sonho de disputar o título. Mas as coisas aconteciam de forma rápida: Senna abandonou na França, e o pódio foi formado por Mansell, Prost e Piquet, nesta ordem. Mais uma vez a Williams forte, e o Prost mostrando grande força por ainda estar na disputa. Mansell 38, líder do campeonato. Prost, 38. Senna, 36. Que disputa, ponto a ponto!

Prost a frente das Williams - improvável durante a temporada pela força da equipe de Frank, mas visto de vez em quando, nesta extraordinária temporada!
O GP da Inglaterra foi a glória do Leão – vitória em casa para o Mansell, a frente de Piquet e Prost. Com mais um abandono, Senna parecia começar a ficar de fora da luta. Ainda mais com o domínio da Williams, que deixava o Mansell com cara de campeão. Mas nas duas próximas corridas, quem se destacava pela Williams era Nelson Piquet. Duas vitórias, na Alemanha e na Hungria, o colocavam com 47 pontos e três vitórias. Prost não pontuou na Alemanha e abandonou na Hungria, continuando com 42 pontos e perdendo as esperanças de defender o título. Mansell ficou em terceiro nestas duas corridas, chegava a 55 pontos a na liderança do campeonato, mas começando a sentir a pressão do seu companheiro brasileiro Nelson Piquet. E quem estava impressionando a todos e ajudando o seu compatriota era Ayrton Senna, que formou a segunda e terceira dobradinha nacional na temporada nestas duas corridas – sempre atrás de Piquet. 48 pontos do Senna o colocavam em segundo lugar, mas sem grandes perspectivas de realmente poder lutar pelo título até o final. Faltavam cinco provas, e quatro pilotos ainda sonhavam.
E que temporada! Abandonos para Mansell, Piquet e Senna deixaram o Prost não apenas com a vitória e os nove pontos, mas com 51 pontos e o segundo lugar no campeonato que parecia perdido – apenas quatro pontos atrás do Mansell. No GP Italiano, Senna se despediu da disputa pelo título, com mais um abandono. Mas o fato de estar na luta já era milagroso. Mansell liderou uma dobradinha Wiliams, e Prost foi desqualificado, ficando cada vez mais longe da defesa do título. Parecia que a definição viria dentro da Williams – o Leão ou o Brazuca? Mansell, 64. Piquet, 53. Prost, 51. E Senna ainda com os 48 pontos de duas corridas antes. No Portugal, Prost foi a estrela: ficou entre as duas Williams, e mantendo alguma esperança – pois o vencedor foi Nelson Piquet, que chegava a 62 pontos, oito atrás do seu companheiro. Senna, por sinal, chegou em quarto. Prost, 13 pontos atrás, faltando duas corridas, dava a disputa como encerrada. Parecia ter uma definição entre os dois pilotos da Williams. Com Mansell ainda em vantagem!

Piquet em Monza: em segundo atrás de Mansell, com abandonos de Prost & Senna - o "Leão" rumo ao título!
Mansell não chegou nos pontos no GP do México e agradeceu ao Gerhard Berger, o jovem austríaco, que este venceu a sua primeira corrida na carreira – na equipe nova, a Benetton Formula. Prost ficou em segundo, chegando a 63 pontos. Piquet jogava a sua esperança de título fora com o quarto lugar, chegando atrás do seu compatriota Ayrton Senna apenas pela segunda vez na temporada. Pra não perder a conta, faltando uma corrida: Mansell, 70. Piquet, 65. Prost, 63. Senna tinha 55 e estava agora matematicamente fora.
Mansell precisava apenas chegar em terceiro para garantir o título, sem dúvidas. Para ele, isso significava apenas chegar no final. Piquet precisava vencer e Mansell fora do pódio. Prost, com menos chances e carro inferior, precisava vencer, com Mansell em quinto. Após o treino de classificação, as chances de Prost pareciam menores ainda: ele ficou atrás do Senna em quarto lugar, com Mansell largando na frente, e Piquet em segundo.
Na fase final da corrida, Keke Rosberg liderava – mas o seu pneu estourou na volta 62, de 82. Mansell assumia a liderança e era preciso apenas chegar – mas aí aconteceu o que o tornou o queridinho da Inglaterra até hoje: o seu pneu também estorou (em reta!) na Austrália, e com isso as suas chances de título se foram. Piquet era o favorita a vencer a corrida e o título, mas ele chegou 4 segundos atrás de Prost, que milagrosamente ainda defendeu o seu título, num dos finais de temporada mais emocionantes de todos os tempos!
Os protagonistas: Nelson Piquet, que teve o melhor carro da temporada e ficou atrás de Mansell, fica com o quarto lugar. Nigel Mansell, com o melhor carro e título na mão, mas no fim apenas vice. E devia ter sido campeão, por isso apenas o terceiro melhor. Alain Prost nem acreditava mais, mas no fim ele conseguiu o seu segundo título consecutivo e na carreira, conseguiu de maneira geral se igualar às Williams mesmo com carro inferior. E Ayrton Senna, o melhor piloto desta temporada espetacular – afinal, com a Lotus nem era para estar lutando pelo título!








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