Alemanha antes da Copa 2010: os Goleiros!
Posted on 16. Feb, 2010 by Marcio in Copa do Mundo, Futebol, Futebol Internacional
Sepp Maier, Toni Schumacher, Oliver Kahn, Jens Lehmann – isso sem mencionar Bodo Illgner, Andreas Köpke e Toni Turek, goleirão da histórica campanha de 1954. A história dos goleiros que defenderam a seleção alemã nas Copas do Mundo é rica, e o país é geralmente considerado o mais rico na tradição de goleiros. O número de goleiros excelentes que nunca tiveram a chance de jogar pela seleção é enorme, desde que acompanho o futebol na Alemanha. Atualmente, eu citaria excelentes representantes como Heinz Müller, o goleiro do Mainz; Jörg Butt (Bayern), que chegou a estar na seleção, mas nunca teve uma real chance como titular; Roman Weidenfeller (Dortmund), com certeza em excelente goleiro; Florian Fromlowitz, que é recentemente o titular do Hannover 96 e parece mostrar muito talento. E, claro, Frank Rost (HSV) e Timo Hildebrand (Hoffenheim), ambos goleiros com um pouco de experiência no grupo da seleção.

Oliver Kahn após a final em 2002; após ele e Lehmann, a escolha do novo número um pode ser permanente!
O goleiro da Copa do Mundo parecia relativamente certo, há um ano. Jens Lehmann, que tinha sido reserva do grande Oliver Kahn por anos, tinha saído da seleção após a Euro 2008, e a busca era por alguém que pudesse marcar uma era no gol. No passado, o reserva sempre tinha se tornado o titular – foi o que aconteceu com Köpke após Illgner, Kahn após Köpcke, Lehmann após Kahn (que virou reserva polêmico em 2006 e depois abandonou a seleção). O reserva de Lehmann na Euro 2008 era Robert Enke, considerado há muito tempo o melhor goleiro da Bundesliga, o campeonato alemão. Quando era novo, Enke até foi contratado pelo Barcelona, após sucesso no Benfica; mas lá, não conseguiu se impor, teve uma passagem traumática pela Turquia e finalmente voltou à Bundesliga, para voltar a se firmar e ser o líder do Hannover 96. Praticamente ninguem sabia que, nesta época, uma depressão da juventude piorava. Mas na sua carreira, as coisas ficaram cada vez melhores, e embora não fosse declarado oficalmente o novo número um após a final da Euro de 2008, era um de quatro ou cinco goleiros na disputa pela vaga para a Copa desta ano – saindo claramente da pole position.
E Enke continuava a defender a posição com excelente desempenho na Bundesliga e na seleção, mesmo com pressão forte de dois jovens talentos, Rene Adler (Bayer Leverkusen) e Manuel Neuer (Schalke 04). O público alemão já estava indeciso também. Afinal, Adler (25 anos) ou Neuer (23 anos) poderiam ser titulares da seleção por mais que uma década, enquanto Enke (32 anos) tinha mais uns dois, talvez três torneios grandes pela frente. Nos dois jogos mais importantes das Eliminatórias, Enke ficaria lesionado – tanto no jogo de ida como no jogo de volta contra a Russia; Alemanha venceu duas vezes, Adler foi excelente nas duas ocasiões. Justo quando a opinião especializada e pública estava se direcionando ao jovem Adler, com Neuer já recebendo muitos elogios de muita gente após duas impressionantes temporadas pelo Schalke e o título de melhor jogador na campanha vencedora da Euro 2009 pela seleção sub-21, Enke começava a parecer a pior das opções; mas ele ainda era o favorita do técnico Löw, quando se suicidou em novembro do ano passado, justamente antes de duas partidas da seleção.
O choque tomou conta de todo um país, e até hoje ainda influencia de alguma forma na péssima fase do seu time, Hannover 96, que desde então não venceu uma partida sequer e está enfrentando o medo de rebaixamento. Mas agora parece bem mais claro quem Jogi Löw levará à Copa, e quem ficará no gol.
RENE ADLER
Para quem acompanha o futebol, Adler é um nome bem antigo, mesmo ainda com 25 anos de idade, completados recentemente. Adler completará 3 anos como titular no final deste mês, tomando o lugar de Jörg Butt, hoje goleiro do Bayern. E o plano era antigo – Adler passou por todas as seleções de base e sempre foi considerado o futuro no gol da seleção, mesmo aos 17 anos. Em Outubro de 2008, com a ausência de Enke, Adler teve a sua estréia na seleção – logo no jogo importante contra a Rússia! No final, a vitória por 2×1 foi creditada a ele, e de uma hora para a outra, ele começava a sonhar com a possibilidade de ser titular na Copa. Após o excelente desempenho no jogo em Moscow, onde ele segurou um 1×0 fora de casa, ninguém duvida de que ele será o escolhido como titular. Só falta o anúncio ofical de Jogi Löw.
MANUEL NEUER
A sua estrela começou a brilhar já em 2006, quando aos 20 anos estreiou pelo seu time de sempre, o Schalke 04. A estréia na seleção em junho do ano passado foi também um agradecimento a todos os serviços prestados na sub -21, onde ele se tornou a principal estrela no ano passado, levando a sua equipe ao título na Euro 2009. Neuer, mesmo ainda aos 23 anos, já passou por altos e baixos, mas é de forma geral visto como o goleiro mais talentoso a surgir na Alemanha, ainda mais que Adler. O seu azar pode ser que o momento é atualmente do Adler, que ainda lidera a Bundesliga com o seu Bayer Leverkusen. Mas grandes nomes como Beckenbauer acreditam que, no futuro, o goleiro da seleção precisa ser Neuer. Pena para ele, que já tem mais jogos pela Bundesliga do que o seu rival, mas tem menos experiência na seleção – apenas duas partidas pela seleção (c0ntra oito do Adler).

Tim Wiese (atrás, do Werder Bremen) deverá ser o terceiro goleiro na Copa; ele vai também por causa da trágica ausência de Robert Enke (à frente), que faleceu em novembro do ano passado.
TIM WIESE
Ele aprendeu. Muito. Sempre teve muito talento, mas Wiese não tinha o melhor caráter para ser goleiro da seleção; era egocêntrico, polêmico, estrela. Agora, amadureceu e inclusive melhorou ainda mais o seu jogo, que tinha defesas espetaculares, mas erros bobos frequentes demais. Wiese agora transmite segurança a calma, e continua espetacular quando precisa ser. Aos 28 anos, Wiese joga na Bundesliga desde os 21 anos, na época pela Kaiserslautern. Como Adler, ele foi revelado na “produtora de goleiros”, o Bayer Leverkusen, de onde veio Adler também. O seu azar principal foi ter surgido na época de Oliver Kahn e Jens Lehmann, sem chances então de sonhar com a titularidade. Desde 2005 no Werder Bremen, Wiese tem muita experiência internacional, tanto na Champions League como na Europa League. Mas ele parece destinado a ser o terceiro goleiro – o que hoje ele aceitaria numa boa, ao contrário de antigamente!
Pelo visto, a Alemanha terá um goleiro inexperiente. Mas Neuer já tem experiênca internacional (Champions League e seleção sub-21), enquanto Adler ainda teve pouca experiência fora da Alemanha. As suas peformances fantásticas contra a Rússia, porém, parecem mostrar que ele conseguirá lidar com a pressão especial de jogar uma Copa do Mundo. Eu pessoalmente levaria Jörg Butt como terceiro goleiro, o mesmo que Adler tirou do gol no Leverkusen. Mas para terceiro goleiro, se a opção é ter alguém experiente, mas ao mesmo tempo uma influência positiva ao grupo de forma geral e aos outros goleiros de forma especial, nada melhor que o atual goleiro titular do Bayern, que já passou pelo Hamburgo e o Leverkusen, já foi a uma Copa do Mundo fora do continente (2002), já foi um excelente reserva (do Rensing, no Bayern) e esteve 100% quando assumiu a titularidade, e já disputou até final de Champions League (2002 diante do Real Madrid, pelo Leverkusen). Embora, pela carreira e pelo desenvolvimento da situação na seleção, Tim Wiese mereça ir à Copa, a escolha mais acertada seria Jörg Butt.
Para titular, eu também sou daqueles que considera Manuel Neuer melhor que Rene Adler, mas mesmo assimo colocaria Adler no gol inicialmente, já que ele fez por merecer e já tem mais experiência em jogo com os zagueiros. Mas no primeiro erro (na fase de grupos), eu colocaria o Neuer. Se este ainda estivesse mostrando insegurança, Butt poderia ser o titular até o final. Mas confio que Adler dará contra do recado. E que ele (ou Neuer) será o próximo na galeria histórico de grandes goleiros alemães.











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